Quem sou eu

Ainda procuro uma palavra que defina de verdade quem sou. Mas posso dizer que sou esposa, mãe, tia, avó, amiga, etc. etc.

sábado, 21 de abril de 2012

Porque não eu???



Como é bom saber que tudo na vida tem um propósito e que todas as coisas cooperam juntamente para o bem daqueles que ama a Deus. Como??? Não sei, mas está registrado na Bíblia então...

Desde que decidi compartilhar nossa história, recebo emails de pessoas que estão vivenciando suas dores, dúvidas e angústias e que após lerem sentem liberdade de abrir seu coração e compartilhar sentimentos que nós cuidadores não “podemos” (pelo menos é assim que a maioria de nós sente), para os que estão ao nosso redor.

Lembro que quando falei para meu querido amigo e Pr Paulo que iria trabalhar com monitoramento de doentes crônicos ele me disse: “ Você tem certeza? Já faz isso em casa, não será desgastante demais?” É certo que parei para pensar, porque ele é um homem sábio e um amigo muito querido, que esteve e está presente nesta nossa caminhada, mas pensei também em uma frase que minha mãe dizia, que aliás eu detestava (risos):“Você reclama que não tem um sapato novo, olhe para trás e vai encontrar alguém que não tem pé!” Mas em meu íntimo, sentia que poderia  fazer alguma diferença para as pessoas que eu monitoraria e elas com certeza fariam diferença em minha vida e há dois anos vivo esta verdade!  

Há duas semanas recebi um email e me surpreendi com minha própria resposta que com certeza é um sinal de que “talvez” eu esteja mudando. Contava a ela tudo o que aconteceu em Janeiro antes e durante o período de internação, a frustração dos últimos dias de hospital, quando por uns breves instantes me deixei levar pela ideia de que “meu marido tinha voltado a ser quem era” e de novo me vi em queda livre na famosa monta russa, enfim eu respondo assim:

Obs: Algumas partes foram omitidas.
...eu deveria estar preparada para isto, li tudo sobre esta patologia, trabalho monitorando doentes crônicos, aconselho pacientes e famílias 5 horas por dia... Ainda hoje estudando um caso de demência com uma enfermeira eu lhe explicava as nuances, particularidades e complexidades de um quadro demencial... Mas...sempre há um mas...

Mas porque eu?
Mas porque meu marido, pai, mãe, irmão?
Deus tem falado ao meu coração e me fez uma pergunta que não gostei.
Porque não eu?
Porque não meu marido, pai, mãe, irmão?

Sempre penso em nossas vidas como uma montanha russa, nunca sabemos quando será a próxima queda livre. Precisamos de ajuda, de Deus em primeiro lugar e se for necessário de alguém mais, seja um Pastor, Padre ou Psicólogo, mais que tudo e sobretudo precisamos vencer a maior de todas as batalhas a da ACEITAÇÃO.
Há dias que penso que isto já está plenamente resolvido para mim, porém há outros em que me sinto um trapo, roubada, privada do convívio do homem de minha vida, mesmo que enquanto escrevo ele está sentado no sofá ao lado... Há dias que sinto tanta falta de ser abraçada que chego a sentir dor na alma, sinto que minha vida foi interrompida... Nestes dias me dou o direito de chorar, de dizer que não estou bem e peço a Deus que isto não dure muito.
Precisamos nos cuidar sim, é fundamental, mas enquanto não aceitarmos (Ah Deus me ajuda a consolidar essa verdade em mim) continuaremos remando contra a correnteza, gastando energias nas coisas que não podemos mudar.
Li que a Palmeira resiste à tempestade sem se quebrar porque ela não faz oposição à força do vento, ela "humildemente" se dobra diante da tormenta e cada vez que isto acontece seu tronco está mais forte para enfrentar a próxima tempestade.
Que Deus nos ajude superar cada dia, cada circunstância e nos ajude sempre, rir com os que riem e chorar com os que choram.
Obrigada pela confiança
Su

Um comentário:

  1. Oi Su, fazendo pesquisa na net sobre demencias encontrei seu blog. Meu marido foi diagnosticado há 6 meses e ainda estou me adaptando, o que nao tem sido nada facil. Cada dia uma surpresa, e a impotencia em fazer qq coisa para ajudar incomoda muito.Tenho estado a seu lado o tempo todo mais confesso que as vezes me falta forças. Queria entender melhor a doença e seu processo de evolução. Poder trocar opinoao com quem passa pelo mesmo problema talvez me ajude a entender melhor.

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