Falei com meu esposo sobre tudo o que está acontecendo, foi muito difícil para eu começar a falar, mas creio mesmo que foi o melhor. Ele não fez muitas perguntas, alternava entre fazer piadas e ficar sério, a princípio disse que não aceitava isso, que nunca iria parar de dirigir ou trabalhar, eu disse que a fé é uma coisa importante, mas que ele tinha que saber sobre a situação e que possivelmente teríamos que tomar algumas decisões contra a vontade dele, tipo parar de dirigir, cuidar das finanças e etc. Disse para ele que poderia continuar trabalhando e que deveria fazê-lo, só que de maneira diferente. Eu disse que faríamos tudo que estivesse ao nosso alcance, como buscar os melhores profissionais, remédios e etc. E que iríamos viver um dia de cada vez, ele perguntou o que efetivamente eu teria de fazer, falei sobre definitivamente encerrar as atividades da empresa, (já estávamos com as portas fechadas), ele contestou dizendo que era impossível, pois não saberia viver sem a empresa, então eu o lembrei que suas atitudes no passado em relação as compras descontroladas e outras coisas já eram sinais da doença, só que não sabíamos, ai ele falou: "Sabia que tinha uma explicação, porque eu não queria fazer as coisas daquele jeito, mas agia por impulso e não escutava ninguém".... Ele disse que saber foi bom, mas pediu pra eu falar com os amigos, porque assim se ele tivesse um comportamento inadequado eles não ficariam tristes com ele. Fiquei espantada, porque não sabia se ele estava entendendo tudo ou não, mas creio que Deus dirigiu a conversa.
A vida nos reserva surpresas, muitas surpresas, mas temos um Deus maravilhoso em quem confiar, Ele tudo pode, por isso nós tudo podemos NELE. Tudo o que pudermos fazer para aliviar o stress dele faremos. Eu disse à ele que eu o amava muito, que estou com ele por opção, na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza... Amo meu marido só que agora tenho que amá-lo por nós dois... Meus filhos tem sido maravilhosos, filhos que deram e dão muitas alegrias e são meus companheiros nessa jornada, ouvindo, aconselhando, sendo pacientes em minhas crises e estando presentes de todas as maneiras. Como pai ele também já não expressa a alegria e orgulho que sempre teve dos filhos, mas eles sabem (creio que melhor do que eu) que bem lá dentro ele sempre vai amá-los e ser grato a Deus por suas vidas.
Julia, nossa primeira netinha, um dia me fez a mais dura de todas as perguntas, quando ainda pensávamos ser Alzheimer, ela disse: ”Vovó, o vovô vai esquecer de mim?” Deus sabe a dor que senti, eu respondi à ela que o vovô talvez fique mais "risadão" (é assim que ela fala de mim), ou mais quieto, mas que ele sempre iria amá-la com um amor muito especial, e que ela sempre será a primeira netinha do vovô...aquela que dizia: "Tem pá quiança?", e que ele amava ouvi-la repetir. Ela chegou para alegrar nosso coração. Agora para completar vieram João Gabriel e Isabela!!!
Bem, como família essa é nossa realidade agora e vamos lutar como sempre fizemos, lembrando sempre da frase do “porta chaves” que fica na cozinha: " NESSA FAMÍLIA TODO MUNDO É LOUCO, UM PELO OUTRO"!!!