Como
é bom saber que tudo na vida tem um propósito e que todas as coisas cooperam
juntamente para o bem daqueles que ama a Deus. Como??? Não sei, mas está
registrado na Bíblia então...
Desde
que decidi compartilhar nossa história, recebo emails de pessoas que estão vivenciando
suas dores, dúvidas e angústias e que após lerem sentem liberdade de abrir seu
coração e compartilhar sentimentos que nós cuidadores não “podemos” (pelo menos
é assim que a maioria de nós sente), para os que estão ao nosso redor.
Lembro
que quando falei para meu querido amigo e Pr Paulo que iria trabalhar com
monitoramento de doentes crônicos ele me disse: “ Você tem certeza? Já faz isso
em casa, não será desgastante demais?” É certo que parei para pensar, porque
ele é um homem sábio e um amigo muito querido, que esteve e está presente nesta
nossa caminhada, mas pensei também em uma frase que minha mãe dizia, que aliás
eu detestava (risos):“Você reclama que não tem um sapato novo, olhe para trás e
vai encontrar alguém que não tem pé!” Mas em meu íntimo, sentia que poderia fazer alguma diferença para as pessoas que eu
monitoraria e elas com certeza fariam diferença em minha vida e há dois anos
vivo esta verdade!
Há
duas semanas recebi um email e me surpreendi com minha própria resposta que com
certeza é um sinal de que “talvez” eu esteja mudando. Contava a ela tudo o que
aconteceu em Janeiro antes e durante o período de internação, a frustração dos
últimos dias de hospital, quando por uns breves instantes me deixei levar pela
ideia de que “meu marido tinha voltado a ser quem era” e de novo me vi em queda
livre na famosa monta russa, enfim eu respondo assim:
Obs:
Algumas partes foram omitidas.
...eu
deveria estar preparada para isto, li tudo sobre esta patologia, trabalho
monitorando doentes crônicos, aconselho pacientes e famílias 5 horas por dia...
Ainda hoje estudando um caso de demência com uma enfermeira eu lhe explicava as
nuances, particularidades e complexidades de um quadro demencial... Mas...sempre
há um mas...
Mas
porque eu?
Mas
porque meu marido, pai, mãe, irmão?
Deus
tem falado ao meu coração e me fez uma pergunta que não gostei.
Porque
não eu?
Porque
não meu marido, pai, mãe, irmão?
Sempre
penso em nossas vidas como uma montanha russa, nunca sabemos quando será a
próxima queda livre. Precisamos de ajuda, de Deus em primeiro lugar e se for
necessário de alguém mais, seja um Pastor, Padre ou Psicólogo, mais que
tudo e sobretudo precisamos vencer a maior de todas as batalhas a da
ACEITAÇÃO.
Há
dias que penso que isto já está plenamente resolvido para mim, porém há outros
em que me sinto um trapo, roubada, privada do convívio do homem de minha vida,
mesmo que enquanto escrevo ele está sentado no sofá ao lado... Há dias que
sinto tanta falta de ser abraçada que chego a sentir dor na alma, sinto que
minha vida foi interrompida... Nestes dias me dou o direito de chorar, de dizer
que não estou bem e peço a Deus que isto não dure muito.
Precisamos
nos cuidar sim, é fundamental, mas enquanto não aceitarmos (Ah Deus me ajuda a
consolidar essa verdade em mim) continuaremos remando contra a correnteza,
gastando energias nas coisas que não podemos mudar.
Li
que a Palmeira resiste à tempestade sem se quebrar porque ela não faz oposição
à força do vento, ela "humildemente" se dobra diante da tormenta e
cada vez que isto acontece seu tronco está mais forte para enfrentar a próxima
tempestade.
Que
Deus nos ajude superar cada dia, cada circunstância e nos ajude sempre, rir com
os que riem e chorar com os que choram.
Obrigada
pela confiança
Su