Quem sou eu

Ainda procuro uma palavra que defina de verdade quem sou. Mas posso dizer que sou esposa, mãe, tia, avó, amiga, etc. etc.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Você não pode ficar só!!!

Quando tudo nos parece dar errado, acontecem coisas boas. Que não teriam acontecido, se tudo tivesse dado certo. - Renato Russo.
Deus nos deu a benção de filhos maravilhosos, minha princesa, Juliana e meu príncipe, Daniel, ele tinha o dom de escrever cartas descontraídas, engraçadas, que sempre me faziam rir, em uma delas ele disse: ” Você não é muito pequena pra pensar que é Senhora", até hoje damos boas risadas quando lemos juntos essas cartas.  Minha princesa sempre foi mais centrada,  tinha 12 anos quando escreveu a frase acima em uma das muitas cartinhas lindas e carinhosas que me escrevia. Eu ainda jovem naquela época,  estava prestes a ser internada para um procedimento cirúrgico e minha companheirinha de sempre já estava lá por mim.  Ainda não tínhamos nossa frase oficial estabelecida " I will be there for you", mas isso sempre foi verdade absoluta entre nós!  Nem sempre entenderemos a verdade dessa frase, nem tampouco o texto bíblico que diz que : "Sabemos que todas as coisas cooperam juntamente para o bem daqueles que amam a Deus..."Rom. 8:28 Muitas vezes simplesmente tudo parece ao contrário é como olhar a tapeçaria ou o bordado pelo avesso, por essa perspectiva não é tão bonito e perfeito. O segrego de continuar vivendo e não apenas sobrevivendo, não é apenas achar lindo, verdadeiro e poético o que disse Renato Russo e que, aliás, me ajudou tanto que jamais esqueci,  mas sim crer que Deus tem um propósito para todas as coisas. Pensei que poderia cuidar de tudo sozinha. Ninguém pode!!!  Não era apenas a doença de meu marido, percebi ao longo do tempo, depois de ouvir por tantas vezes de pessoas diferentes, médicos, psicólogos, Pastor, grupo de apoio da ABRAZ, Mi, Kaká, Paty e Cy (tantas vezes), que essa era "nossa" doença, acometeria de alguma maneira toda nossa família. Cada um de nós sentiria sua dor particular, teríamos que enfrentar a realidade de conviver com o papel que ele desempenha em nossas vidas individualmente, seja como, esposo, pai, sogro, vovô, irmão, cunhado, tio, amigo e que já não é mais o mesmo. Ele tem suas prioridades e dificuldades, coisas antes pequenas, se confrontadas se tornam um grande problema...Para mim esse é o maior desafio até hoje. Cada pessoa tem sua maneira de reagir frente a uma situação, fugir, dormir, negar, enfrentar,  comer ou não comer, falar ou se calar... Mas o que sei é não podemos ficar sozinhos. Louvo a Deus por meus filhos, nora, genro e netos, minha família, Igreja e amigos que estão por perto, mesmo estando longe, com quem pude contar e à quem ainda poderei recorrer.

Quando a verdade vem à tona!

Viver a realidade de ter alguém doente na família é muito doloroso, seja qual for a patologia, sempre exigirá muito em todas as áreas, emocional, espiritual, física, finaceira, etc. Quando se trata de um quadro demencial, seja por DA, DFT, ou outra patologia, a dificuldade se torna ainda maior e mais complexa. A primeira coisa foi o choque em relação ao diagnóstico. Que em meu caso era a constatação de que tudo o que eu estava presenciando e que não pareciam coisas “normais”, as pequenas mudanças que apenas eu notava, não faziam parte de um desgaste de relacionamento ou ao stress da vida, (se bem que todos os problemas que atravessamos, foram sem dúvida muito desgastante), mas sim parte de algo muito maior. Jamais esquecerei quando saimos do consultório pela primeira vez há quase 4 anos, (eu, minha filha e sua sogra), quando entramos tinhamos em mãos, exames de imagem, testes neuropsicológicos, todos os exames de sangue que pudessem indicar um quadro reversível e a esperança de ouvir algo como: “É um quadro depressivo grave, mas logo com tratamento adequado ele estará bem!” De lá saimos, com lágrimas nos olhos, uma dor aguda no peito e muitas receitas em mãos.  As palavras do médico ressoavam em minha mente: “Trata-se de um quadro demencial, ainda é cedo para definir qual o tipo de demência, mas não tenho dúvidas!” Eu chorava muito, pois era difícil pensar em todas as colocações feitas pelo médico. Eu tinha muitas perguntas e não conseguia pensar nas respostas. Como seria? Como agiria com ele? Contar ou não contar? Tinhamos por assim dizer “perdido” nossa empresa, como ficaria a parte financeira, conseguiriamos comprar todos os remédios prescritos? Enfim, tudo novo e assustador! Meu filho, nora e netos, longe, minha filha prestes a se casar, e a certeza de que nossos sonhos e planos para o futuro foram interrompidos pelo diagnóstico! Ficava apenas a pergunta que não queria calar: E AGORA?