Diariamente enfrentamos situações que são comuns a todas as pessoas. Desde a hora em que acordamos e decidimos sair para realizar nossas tarefas diárias, seja qual for, vamos nos deparar com pessoas de culturas diferentes, educadas de maneira diferente, com valores que nem sempre serão iguais aos nossos, enfim, nem todos foram ensinados desde pequenos que nosso direito termina onde começa o do outro.
Se estivermos bem mental e emocionalmente, vamos trabalhar com cada situação e aprender com ela, (pelo menos deveria ser assim), para que no futuro quando passarmos por algo parecido nossa reação e a maneira de lidar com o problema se torne menos estressante e de mais fácil solução. Mas o que acontece quando a pessoa não consegue, “entender” , “reter”, “raciocinar”, ou até mesmo “enxergar” sob a “ótica” do outro” ?
Vamos lá! Sábado tranquilo, saímos para tomar um lanche, na volta paramos em uma perfumaria para comprar umas coisinhas, nosso carro ficou no estacionamento da loja, pegando cerca de ¼ da traseira do carro da frente. A vendedora me atendia e como é costume nesses estacionamentos , ouvi a pergunta:” Quem é o proprietário do carro...” Meu marido disse, deixa que eu tiro para você, em seguida comecei ouvir gritos e fui para a porta da loja, o dono do carro da frente do nosso gritava com meu marido dizendo palavras que não ficam bem se descritas aqui e que não costumo usar.
Eu olhava para meu esposo e o via com a porta do carro semiaberta, olhando para o homem, meio sem reação. Rapidamente cheguei perto da janela do carro e disse gentilmente: ” Sr, só um momento por favor, meu esposo tem um problema de saúde quanto mais o Sr gritar menos ela saberá o que fazer”, enquanto isso eu dizia ao Horacio para tirar o carro de onde estava, só que pela ótica dele o tal homem tinha espaço suficiente e não havia necessidade de mover nosso carro.
Eu me voltei para o homem na tentativa de convencê-lo de que eu mesma iria manobrar o carro, mas nesse momento ele, agora acompanhado da esposa começaram a dizer palavras nada agradáveis, começou a manobrar o carro e saiu gritando sem dó as mesmas palavras para meu esposo. Vi o semblante de meu esposo “caído” por um momento e depois assunto encerrado para ele. Graças a Deus ele está bem medicado porque há poucos meses atrás o desfecho teria sido muito diferente!!!
Com certeza essas pessoas ou não tiveram “berço” ou estão mais doentes que meu marido, pois elas tem a opção, elas podem decidir, elas poderiam ouvir, analisar e decidir agir racionalmente com base na informação recebida. As funções executivas, de planejamento de meu esposo, entre outras, estão prejudicadas, então não posso esperar dele que reaja “normalmente”, como esposa isso requer muito é um esforço diário. A falta de sensibilidade de algumas pessoas manifesta de tantas maneiras diferentes me entristece e sei que ainda enfrentarei muitas situações como essas. Também não posso esperar que os outros entendam. Quando soube do primeiro diagnóstico há quase 4 anos, pensei: “ Ninguém vai magoá-lo se for necessário ficaremos em casa até...” Depois com a terapia, entendi que não era bem assim, eu sou limitada, pessoas são limitadas, tememos o que desconhecemos, por isso lutarei ainda mais para divulgar a DFT e as outras demências, na esperança de que o conhecimento traga consigo inclusão!
