Quem sou eu

Ainda procuro uma palavra que defina de verdade quem sou. Mas posso dizer que sou esposa, mãe, tia, avó, amiga, etc. etc.

sábado, 15 de outubro de 2011

Um estudo de caso


  • Mulher de 56 anos, professora primária,  é avaliada no ambulatório de geriatria por causa de história de dois anos de esquecimentos, que começou insidiosamente e tem piorado progressivamente. Perdeu o emprego há uma ano, devido o baixo desempenho no trabalho. Ao longo do último ano está muito sedentária, o apetite por doces aumentou e ganhou 7 kg neste ano. Esposo refere que a paciente apresenta um desejo incontrolável de fazer apostas na mais variadas forma de loteria. Afirma que é a forma de compensar o desemprego. Nas raras reuniões familiares procura-se ficar isolada. Tem leve insônia. Quando perguntada se está deprimida ela responde: “Não tem nada de errado comigo”. Seu pai teve doenca de Parkinson nos últimos 5 anos de vida.
  • Ao exame físico bom estado geral, nutrida e Mini-Exame-Mental, com pontuação de 25/30.
Qual a melhor orientação para essa paciente?
O quadro clínico ilustra a difícil situação clínica na qual o médico deve considerar uma demência degenerativa precoce (doença de Alzheimer, doença de Pick, etc) ou uma pseudodemência (demência causada por quadro depressivo). Apesar de inúmeros relatos na literatura sugerirem que determinados aspectos são diagnosticos úteis para diferenciar um quadro do outro, esta distinção torna-se difícil porque a depressão e a demência frequentemente coexistem.
Na paciente do caso é razoável iniciar uma terapia com agente antidepressivo que tenha pouco efeitos colaterais na esfera cognitiva. O teste terapêutico fornecerá informações diagnóstica e terapêutica para o caso.
Os inibidores da recaptação seletiva da serotonina têm menos efeitos colaterais anticolinérgicos do que os antidepressivos tricíclicos e seriam mais apropriados para essa paciente.
O desempenho da paciente no Mini-Exame-Mental está no limite da normalidade, mas os distúrbios do comportamento e a perda do emprego indicam um melhor controle do quadro da paciente e uma avaliaçnao mais completa neurológica e neuropsicológica, inclusive com ressonância magnética cerebral, no sentido de afastar uma possível demência frontotemporal (DFT).
Demência frontotemporal
Em 1892 Arnold Pick descreveu a demência associada à atrofia circunscrita no lobo temporal esquerdo acompanhada de depósitos argentofílicos intranucleares (inclusões ou corpos de Pick). Na atualidade a demência frontal ou frontotemporal é constituida de varias formas demenciais. Apesar de rara, o quadro clínico da demência frontal e frontotemporal, chama atenção pelas suas caracteristicas como: distúrbios afetivos; distúrbios do comportamento; distúrbios da fala e preservação da orientação espacial e das praxias. A instalação dessa demência se dá de forma insidiosa e progressiva. Precocemente ocorre declínio das condutas sociais interpessoais, dificuldade do controle da conduta pessoal, indiferença emocional e perda do “insight” .
Referência:
Raskind MA – The clinical interface of depressão and dementia. J Clin Psychiatry. 1998;59(Supple 10):9-12.

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