Este é um comentário deixado aqui por uma mulher guerreira, que me emocionou muito...estou vivenciando uma fase de desanimo, cansaço e muito trabalho, mas seu pedido de não desistir de escrever me tocou profundamente.
Tomo a liberdade de postar porque seu depoimento me ajudou muito. Deus te abençoe querida Ana e que você tenha forças para seguir em frente, como tem feito até aqui. Sei o que quer dizer com essa "solidão", mas estamos juntas, todas nós que enfrentamos uma realidade tão pouco compreendida...
"Queridas companheiras de infortúnio só agora descobri este blog e acho-o muito útil pois a nossa solidão tem uma especificidade única. Quem não vive muito de perto não entende. Uns acham que nós, esposas, é que devemos estar dementes e quem sabe sempre quer dar um conselho sobre um novo médico ou uma nova abordagem. Mesmo que concordássemos, conseguiriamos levar nossos maridos ? O meu tem a vertente comportamental e acha que está de ótima saúde, apenas velho porque já nota a falta de memória. Acha que apenas se tornou mais brincalhão porque a vida precisa ser vivida assim já que tudo está mal. Por isso mete-se com todas as pessoas, principalmente mulheres e destas as mais jovens. Tal como uma outra companheira, já disse na minha presença a uma senhora divorciada (pergunta sempre se têm companheiro) que esperasse por ele pois quando eu morresse casaria com ela. Fala muito e faz trocadilhos de forma a poderem ser interpretados de forma picante. Por outro lado é capaz de ser rude com as pessoas porque tudo está mal para ele. Sinto uma imensa solidão interior e estou com ele 24 horas por dia, nao devendo deixa-lo sozinho e nao tenho mais ninguem. Temos 3 filhos mas estão longe e nao se apercebem ou nao querem perceber os sintomas que esta doença acarreta, visto o pai continuar a reconhecer toda a gente e não perder a noção dos locais.
Por isso este blog é muito útil, nao só para mim mas para muitas outras pessoas como nós.Compreendo que a sua autora esteja muito cansada e com pouco tempo mas por favor nao desista desta forma de nos conetarmos.
Muito obrigada e força interior para todas, para que aceitem, tolerem e sejam pacientes pois aquele homem que está doente já nao é o nosso amor de outrora mas tambem ele nao escolheu estar doente.
Um abraço de solidariedade para todos os que participam neste blog.
Ana de Portugal
Obrigada pelas suas generosas palavras e pela força interior de voltar a escrever.
ResponderExcluirFaz-me tão bem vir aqui como que receber esta corrente de solidariedade nesta tormenta constante e contínua que a todas nos assolou.
Bem haja !
Ana de Portugal
Um grande beijo minha amiga!
ExcluirEntão Su como anda esse ânimo ? Há uma senhora portuguesa que não se quer intitular escritora, mas que escreve em média mais de um livro por ano. Essa, sim, é uma verdadeira guerreira. Tinha 2 filhos e 1 filha. Os filhos estavam ambos ligados à política, como verdadeiras figuras públicas mas curiosamente um do partido mais à direita em Portugal e o outro no partido mais à esquerda. Ambos com a idade à volta dos 50 anos e um deles morreu. Haverá maior desgosto do que a perda de um filho ? No último livro dela, que se chama "E nada o vento levou", em oposição ao filme "E tudo o vento levou", ela diz imensos pensamentos que nos dão força. Ela diz que "por maior que seja a nossa perda, o que nos resta é muito maior" ! Com isto, querida Su, quero animá-la e ajudá-la a pensar que além do seu marido e da sua doença, tem filhos, tem netos, tem animais lindos, tem flores, cores, perfumes, etc etc. Não sei no que acredita espiritualmente mas as desditas sempre nos fortalecem. Tente ver por aí. Há um escritor brasileiro de que gosto muito: Augusto Curry. Ele ensina-nos tantas coisas ... Acho que alem de estar a tentar animá-la a si, estou tambem me animando pois meu marido entrou na fase da agressividade ... Todos os dias se zanga comigo e tem sempre razão.
ResponderExcluirForça amiga e se quiser desabafar, aqui estou eu :)
Ana de Portugal