Durante este tempo de blog, fiz várias amizades, nossas histórias nos aproximaram... Com sua permissão posto o email que recebi de uma companheira de jornada.
"Que bom que você voltou a escrever! Eu sou a Marli. Fui eu quem te enviou um e-mail falando da doença do meu marido. Você me respondeu e eu te mandei um outro e-mail respondendo às suas perguntas, não sei se você recebeu. Olha, meu marido está igualzinho ao seu no que se refere à fase da doença. Sempre depressivo, com ideação suicida e fobia social. Não gosta de ir a nenhum tipo de passeio e detesta quando recebemos muitas visitas, mesmo que sejam familiares. E eu fico "presa" em casa juntamente com ele. Tem dia que não aceita nem a visita dos netos, alegando que as crianças fazem muito barulho.
Atualmente, ele vem apresentando pequenos "lapsos de memória", do tipo: sai do banheiro e não sabe onde fica o nosso quarto.Coisa de segundos, apenas. Logo ele se orienta.
Ah! Amiga ( permita-me chamá-la assim ), é muito difícil constatar que depois de 34 anos de casamento, eu me tornei mãe, amiga, irmã, companheira... menos esposa. Isso dói muito.(você sabe né ). Mas, tenho muita fé em Deus, rezo muito e seguro na mão Dele pra ir em frente...
Olha, se quiser, pode colocar este relato em seu blog e se for do seu interesse e não te atrapalhar, continuarei dando notícias para serem compartilhadas por outros "cuidadores de pacientes com DFT.
Um abraço carinhoso desta sua companheira de jornada,
Marli."
Querida amiga, como já mencionei, você não atrapalha e tenho muito interesse em receber notícias suas e atualizações sobre a DFT.
Um abraço
Queridas companheiras de infortúnio só agora descobri este blog e acho-o muito útil pois a nossa solidão tem uma especificidade única. Quem não vive muito de perto não entende. Uns acham que nós, esposas, é que devemos estar dementes e quem sabe sempre quer dar um conselho sobre um novo médico ou uma nova abordagem. Mesmo que concordássemos, conseguiriamos levar nossos maridos ? O meu tem a vertente comportamental e acha que está de ótima saúde, apenas velho porque já nota a falta de memória. Acha que apenas se tornou mais brincalhão porque a vida precisa ser vivida assim já que tudo está mal. Por isso mete-se com todas as pessoas, principalmente mulheres e destas as mais jovens. Tal como uma outra companheira, já disse na minha presença a uma senhora divorciada (pergunta sempre se têm companheiro) que esperasse por ele pois quando eu morresse casaria com ela. Fala muito e faz trocadilhos de forma a poderem ser interpretados de forma picante. Por outro lado é capaz de ser rude com as pessoas porque tudo está mal para ele. Sinto uma imensa solidão interior e estou com ele 24 horas por dia, nao devendo deixa-lo sozinho e nao tenho mais ninguem. Temos 3 filhos mas estão longe e nao se apercebem ou nao querem perceber os sintomas que esta doença acarreta, visto o pai continuar a reconhecer toda a gente e não perder a noção dos locais.
ResponderExcluirPor isso este blog é muito útil, nao só para mim mas para muitas outras pessoas como nós.
Compreendo que a sua autora esteja muito cansada e com pouco tempo mas por favor nao desista desta forma de nos conetarmos.
Muito obrigada e força interior para todas, para que aceitem, tolerem e sejam pacientes pois aquele homem que está doente já nao é o nosso amor de outrora mas tambem ele nao escolheu estar doente.
Um abraço de solidariedade para todos os que participam neste blog.
Ana de Portugal
Persistência não pode faltar-nos.
ResponderExcluirPossuimos uma força poderosa, capaz de perseverar e conseguir tudo, bastando acreditar firmemente que, mesmo difícil, jamais será impossível.
O impossível é o possível que nunca foi tentado”.
Chega quem caminha! Então caminhe com determinação, jamais duvidando da sua capacidade de vencer.
Um afetuoso abraço
Ana de Portugal