Esses relatos foram extraídos de algumas de nossas conversas e partes foram omitidas, por respeito à privacidade de meus queridos amigos!!!
Sou Fernando
Barros, pai de Isabelle e Raquel e esposo de Maria Ducéu, portadora de DFT.
Confesso que me senti um pouco mais aliviado, quando Isabelle me falou que havia descoberto o seu BLOG, onde poderíamos desabafar para outras pessoas a nossa angústia assim como também
ouvir o desabafo de outras pessoas que assim como nós estão passando pelo mesmo problema com algum ente querido.
Vou contar sem muito arrodeio como aconteceu conosco. Minha esposa é quase 9 anos mais jovem que eu e completou 62 no dia 8 de novembro de 2011.
Ela tinha tendência depressiva, mas, era muito cuidadosa com a medicação, se esforçava bastante para a depressão não derrubá-la...
A partir de uma cirurgia, a depressão começou a castigá-la. Antes ela tomava um medicamento e estabilizava agora não,paulatinamente foi aumentando o número de medicamentos e a dosagem e nada conseguia fazer com que ela voltasse a ser o que era antes: alegre, participativa, trabalhadora enfim envolvida com as atividades da família. Mudamos de médicos várias vezes e nenhum conseguia tirá-la daquele quadro de desânimo e tristeza.
Por fim acreditava que tudo que fazíamos que gerasse barulho, estávamos testando a paciência dela. Algumas vezes a encontramos escondida debaixo da cama dizendo que estava fugindo de todos porque ninguém mais queria saber dela. Começou a mudar o comportamento, mas, de uma forma que não percebíamos o agravamento da doença. Passou a sair sozinha para caminhar numa pracinha próxima da nossa residência...
Nós passamos a monitorar a medicação dela com receio que viesse a tomar alguma overdose.
No dia 23 de julho de 2011, minhas filhas haviam saído e eu estava sozinho com ela, chegou a hora da medicação, dei os remédios como de costume, ela deitou-se e eu fiquei no computador na sala ao lado. Passados uns 20 minutos ela chegou e me falou: você me deu estes remédios e não serviram de nada, faça alguma coisa. Eu achei alguma coisa estranha na fala dela.
- Vamos faça logo alguma coisa se levante.
Eu disse: se sente vamos conversar enquanto o sono chega.
- Que conversar que nada, faça logo alguma coisa.
Eu perguntei: mas o que você quer que eu faça?
Ela me puxou da cadeira quase me jogando ao chão...Ela nem pestanejou... jamais eu imaginei ver minha mulher assim, não sei de onde veio toda aquela força, ela que sempre foi uma mulher frágil... Nosso namoro começou há 37 anos 10 meses e 10 dias, com ela desmaiando de insolação nos meus braços.
Concluindo este episódio, durante mais de meia hora eu lutei com minha esposa sozinho dentro de casa, sentindo minhas forças se esvaírem e ela sem demonstrar nenhum cansaço...Do dia 23 de julho para cá, a vida da nossa família teve uma mudança brutal em todos os sentidos: físico, mental e espiritual. Somos Católicos e acreditamos que o que estamos passando é uma provação de Deus. Pedimos a Êle força e aceitação além de compreensão, pois acredito que só Êle mesmo poderá explicar o porquê de uma doença dessas.
Confesso que me senti um pouco mais aliviado, quando Isabelle me falou que havia descoberto o seu BLOG, onde poderíamos desabafar para outras pessoas a nossa angústia assim como também
ouvir o desabafo de outras pessoas que assim como nós estão passando pelo mesmo problema com algum ente querido.
Vou contar sem muito arrodeio como aconteceu conosco. Minha esposa é quase 9 anos mais jovem que eu e completou 62 no dia 8 de novembro de 2011.
Ela tinha tendência depressiva, mas, era muito cuidadosa com a medicação, se esforçava bastante para a depressão não derrubá-la...
A partir de uma cirurgia, a depressão começou a castigá-la. Antes ela tomava um medicamento e estabilizava agora não,paulatinamente foi aumentando o número de medicamentos e a dosagem e nada conseguia fazer com que ela voltasse a ser o que era antes: alegre, participativa, trabalhadora enfim envolvida com as atividades da família. Mudamos de médicos várias vezes e nenhum conseguia tirá-la daquele quadro de desânimo e tristeza.
Por fim acreditava que tudo que fazíamos que gerasse barulho, estávamos testando a paciência dela. Algumas vezes a encontramos escondida debaixo da cama dizendo que estava fugindo de todos porque ninguém mais queria saber dela. Começou a mudar o comportamento, mas, de uma forma que não percebíamos o agravamento da doença. Passou a sair sozinha para caminhar numa pracinha próxima da nossa residência...
Nós passamos a monitorar a medicação dela com receio que viesse a tomar alguma overdose.
No dia 23 de julho de 2011, minhas filhas haviam saído e eu estava sozinho com ela, chegou a hora da medicação, dei os remédios como de costume, ela deitou-se e eu fiquei no computador na sala ao lado. Passados uns 20 minutos ela chegou e me falou: você me deu estes remédios e não serviram de nada, faça alguma coisa. Eu achei alguma coisa estranha na fala dela.
- Vamos faça logo alguma coisa se levante.
Eu disse: se sente vamos conversar enquanto o sono chega.
- Que conversar que nada, faça logo alguma coisa.
Eu perguntei: mas o que você quer que eu faça?
Ela me puxou da cadeira quase me jogando ao chão...Ela nem pestanejou... jamais eu imaginei ver minha mulher assim, não sei de onde veio toda aquela força, ela que sempre foi uma mulher frágil... Nosso namoro começou há 37 anos 10 meses e 10 dias, com ela desmaiando de insolação nos meus braços.
Concluindo este episódio, durante mais de meia hora eu lutei com minha esposa sozinho dentro de casa, sentindo minhas forças se esvaírem e ela sem demonstrar nenhum cansaço...Do dia 23 de julho para cá, a vida da nossa família teve uma mudança brutal em todos os sentidos: físico, mental e espiritual. Somos Católicos e acreditamos que o que estamos passando é uma provação de Deus. Pedimos a Êle força e aceitação além de compreensão, pois acredito que só Êle mesmo poderá explicar o porquê de uma doença dessas.
Depois de um tempo hospitalizada e com a realização de exames a querida Ducéu do Fernando foi diagnosticada portadora de DFT. Ele encerra o email, assim:
Em outra oportunidade continuarei a "
Via Crucis "da doença da minha querida Ducéu.
Su, muito grato por poder partilhar com vc a nossa história.
Abraço
Su, muito grato por poder partilhar com vc a nossa história.
Abraço
29/11/2011
Fernando (esposo amado da Ducéu)
Fernando (esposo amado da Ducéu)
Dezembro de
2011
Foi o nosso
primeiro Fim de Ano com a mamãe diagnosticada DFT.
Foi bem
diferente. Aqui em casa
sempre foi o point do Natal e este ano, com ela doente, ficou muito triste.
Faz uma
semana que ela parou de falar. Vive em
silêncio alisando o corpo.O único som
que escutamos é o de suas mãos em atrito com sua pele. O psiquiatra
que a acompanha disse que é da doença.
Comentou
como o quadro da mamãe vem avançando rapidamente.
Às vezes
penso que há duas pessoas dentro dela, brigando para se sobressair, só que a
minha mãe está perdendo nessa briga...
A última
semana de 2011 foi muito atordoada na minha cabeça, lembrar do ano que estava
terminando e imaginar o que estava por vir era algo muito angustiante, cheio de
saudades e medo. Por muitos momentos me senti como que anestesiada em um sonho
e que a qualquer momento eu iria acordar e estaria tudo bem. Mas eu não
acordei.
Isabelle (Filha querida da Ducéu)
É muito
torturante todas essas coisas para nós que estamos ao lado dos que sofrem da
DFT, mas eu imagino como eles devem sofrer mais, porque pelo menos, acredito
que minha mãe tem flashes de lucidez, e nesses momentos eles se veem e não
gostam do que veem e isso deve causar uma grande raiva, ódio e quando o flash
se vai ficam somente os sentimentos ruins que eles acabam por meio que parecer
descontar em quem tá perto.
SENHOR, TEM
MISERICÓRDIA DE NOSSOS QUERIDOS!
SENHOR, TEM
MISERICÓRDIA DE TODOS NÓS!
DAI PAZ AOS
NOSSOS DIAS, AOS NOSSOS CORAÇÕES!
Eu sei que a mamãe sabe
o quanto é privilegiada por ter o papai como esposo.
Lembro de como ela
sempre fez tudo por nós e por ele.
Sempre foi nós em
primeiro lugar, depois é que ela pensava nela.
Eu sinto que as
tentativas de suicídio dela são como uma prova de amor por nós. (uma coisa meio
estranha de se dizer)
Mas acho que ela não
aguenta mais ver a gente sofrer cuidando dela.
Todas as
vezes que tenho crise de choro perto dela, é como que apertasse o botão da mãe
protetora, e ela acorda, sobressai a doença e fica perguntando: Minha filha, vc
está chorando? Ou olha pro meu pai e diz: Meu Filho, faça alguma coisa pra
Isabelle parar de chorar!
Eu quero
muito conseguir ser uma mulher tão dedicada como minha mãe foi e ter ao meu
lado um companheiro tão dedicado como meu pai.
Te amo PAI!
Isabelle (filha querida da Ducéu)
É mais
pura verdade o que a Isabelle disse. O nosso pai é realmente o homem que ama a
minha mãe mesmo estando do jeito que ela esta, fazendo jus ao juramento que fez
diante do altar. Hoje mesmo a gente estava conversando e ele se
perguntou como seria se a mamãe tivesse casado com outra pessoa ou não tivesse
casado e eu disse: Pai eu não sei como seria só te digo uma coisa. A mamãe foi
uma mulher de muita sorte de ter o senhor como esposo e a gente de ter o senhor
como pai. Nos dois começamos a chorar e a mamãe ao lado da gente deitada e
gritando. Ela nem imagina a sorte que tem.
Olá
queridos!
Meu nome é
Raquel, sou irmã da Isabelle, tenho 30 anos.
Não sou de
falar muito mas parece que aqui existe pessoas que realmente conseguem ver
coisas boas em tudo o que vem acontecendo na vida de cada um de vcs e isso é
muito legal mesmo.
No momento
ainda me sinto muito fragilizada, muito triste e me vejo chorando muitas vezes,
tento chorar só para que ninguém fique triste também. Mas é muito bom saber que
tenho companheiros nessa mesma caminhada que na verdade não é fácil pra ninguém
Tenho certeza que tudo o que estamos passando tem um objetivo para o bem da gente.
Raquel (filha querida da Ducéu)
Daqui há 30min. a querida Ducéu, esposa e mãe amada, por quem orei desde que conheci sua história, será sepultada, perdeu a batalha para a DFT. Chorei sem jamais te-la conhecido de perto, porque Fernando e suas filhas compartilham comigo do mesmo grupo de apoio a cuidadores. Liguei e falei com Raquel e meu sentimento é no momento um misto de gratidão pois se findou o sofrimento da Ducéu, mas tristeza porque mesmo sabendo de toda dor que a DFT trás consigo, a esposa e mamãe fará muita falta. Talvez nunca entenderemos o porque dessa doença que rouba o melhor de nossos queridos, mas podemos ter a certeza de que Deus, faz tudo bem (difícil né???, mas é verdade) que Ele os abençoe queridos amigos vocês foram os melhores que a Ducéu poderia ter ao seu lado peço também que Ele mesmo enxugue dos olhos de vocês toda lágrima.
um abraço cheio de carinho
Su
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