Quem sou eu

Ainda procuro uma palavra que defina de verdade quem sou. Mas posso dizer que sou esposa, mãe, tia, avó, amiga, etc. etc.

domingo, 26 de outubro de 2014

Renovando os votos

Assisti um filme sobre um casal em crise, após 32 anos de casados. A esposa vendo a indiferença do marido o convence a procurarem a ajuda de um terapeuta que os incentiva a lutar por seu casamento. A trama chega a ser engraçada, pois a mulher na luta por reconquistar seu marido, quer fazer coisas que não fazem parte do que ela é em sua essência. O marido por sua vez tenta cumprir o protocolo, mas não consegue enganar sua esposa, ele já não sabia o que sentia por ela, a rotina roubara o lugar do "encantamento" e da paixão e o levou a casar-se com ela. Enfim, após indas e vindas, um final feliz! O filme termina com os dois na praia diante do terapeuta e de toda a família renovando seus votos, palavras de amor consciente, agora dão lugar às juras de amor ditas pela boca da paixão da juventude.

Chorei...Sempre sonhei com um final feliz! Todos sonhamos certo?! Quando meu marido começou a ficar indiferente, pensei muitas coisas, que ele não meu amava mais, que eu não tinha atrativos, etc. etc. Procurei ajuda, lutei e pensei que um dia as coisas se acertariam...

Seria assim com certeza se ele estivesse no controle de sua vida! Seria assim se o desinteresse e todo o resto que viria, não fosse o anúncio de um grande tsunami que deixaria marcas em nossas vidas para sempre.

Este tsunami tem nome e sobrenome, DLFT, chega e devasta tudo e todos, não respeita nada e nem ninguém, rouba o melhor e trás à tona o pior de nós, sim de todos nós!

Voltando ao filme e aos meus sonhos de um dia renovarmos nossos votos de maneira consciente, na presença de nossos filhos e netos ( já são 4 agora, Julia, João Gabriel, Isabela e Alícia), pensei que nós esposas que temos nossos maridos com DFT, renovamos novos votos a cada nova manhã, a cada novo desafio, toda vez que a vontade maior é ir, mas ficamos...quando separamos os medicamentos, levamos ao médico, buscamos um novo tratamento, mesmo sabendo que o que nos espera não é a cura...

E quanto aos filhos? A Bíblia diz: "Honra a teu pai e tua mãe para que te vá bem, para que se prolonguem os seus dias sobre a terra"! Meu maridos foi abençoado com dois filhos que obedecem este mandamento. O Daniel mora em Anápolis, não pode fazer muito, a Juliana está  aqui pertinho, então fica com uma carga maior e tem me ajudado muito, nas últimas semanas principalmente, levando o pai para as sessões das quais tem participado lá no grupo de estudos de demência fronto temporal do HC de São Paulo.  Só posso agradecer a Deus, pelos filhos que temos, os que saíram de nós e os que capturaram nossos corações quando se apaixonaram por eles ( Julián, e Daniela).

Um grande abraço

domingo, 19 de outubro de 2014

Obrigada Ana!


Este é um comentário deixado aqui por uma mulher guerreira, que me emocionou muito...estou vivenciando uma fase de desanimo, cansaço e muito trabalho, mas seu pedido de não desistir de escrever me tocou profundamente.
Tomo a liberdade de postar porque seu depoimento me ajudou muito. Deus te abençoe querida Ana e que você tenha forças para seguir em frente, como tem feito até aqui. Sei o que quer dizer com essa "solidão", mas estamos juntas, todas nós que enfrentamos uma realidade tão pouco compreendida...

"Queridas companheiras de infortúnio só agora descobri este blog e acho-o muito útil pois a nossa solidão tem uma especificidade única. Quem não vive muito de perto não entende. Uns acham que nós, esposas, é que devemos estar dementes e quem sabe sempre quer dar um conselho sobre um novo médico ou uma nova abordagem. Mesmo que concordássemos, conseguiriamos levar nossos maridos ? O meu tem a vertente comportamental e acha que está de ótima saúde, apenas velho porque já nota a falta de memória. Acha que apenas se tornou mais brincalhão porque a vida precisa ser vivida assim já que tudo está mal. Por isso mete-se com todas as pessoas, principalmente mulheres e destas as mais jovens. Tal como uma outra companheira, já disse na minha presença a uma senhora divorciada (pergunta sempre se têm companheiro) que esperasse por ele pois quando eu morresse casaria com ela. Fala muito e faz trocadilhos de forma a poderem ser interpretados de forma picante. Por outro lado é capaz de ser rude com as pessoas porque tudo está mal para ele. Sinto uma imensa solidão interior e estou com ele 24 horas por dia, nao devendo deixa-lo sozinho e nao tenho mais ninguem. Temos 3 filhos mas estão longe e nao se apercebem ou nao querem perceber os sintomas que esta doença acarreta, visto o pai continuar a reconhecer toda a gente e não perder a noção dos locais.
Por isso este blog é muito útil, nao só para mim mas para muitas outras pessoas como nós.
Compreendo que a sua autora esteja muito cansada e com pouco tempo mas por favor nao desista desta forma de nos conetarmos.
Muito obrigada e força interior para todas, para que aceitem, tolerem e sejam pacientes pois aquele homem que está doente já nao é o nosso amor de outrora mas tambem ele nao escolheu estar doente.
Um abraço de solidariedade para todos os que participam neste blog.
Ana de Portugal