Quem sou eu

Ainda procuro uma palavra que defina de verdade quem sou. Mas posso dizer que sou esposa, mãe, tia, avó, amiga, etc. etc.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

De volta ao futuro!

Eu disse olá pela primeira vez em 03/11/2010 e até a próxima em 19/12/2012... Provavelmente deixei alguém sem resposta e por isso peço desculpas. O último email que respondi em 8/07/13, foi mais ou menos assim:
"Tudo bem? Desculpe desapontá-la, fiquei muito tempo desanimada...A doença de meu marido está estacionada, o que fez o médico rever muita coisa, mas não mudou o diagnóstico. A ano passado foi muito complicado, após uma cirurgia mal sucedida, o que causou um abcesso cerebral, passamos muito tempo no hospital. Já pensei em voltar a escrever, mas as vezes me sinto um pouco "vazia"...
Me fale sobre seu marido, como ele está? Há quanto tempo foi diagnosticado? Como você lida com as mudanças? O que mais foi afetado nele? Gostaria muito de abrir espaço no Blog para depoimentos, ainda que anônimos, pense nisso, Ok?
Você não tem ideia de como teu email me animou!"
Acho que preciso retomar, mas ainda não estou muito certa disso, como eu já disse uma vez, escrever me faz bem, mas confesso que cheguei a duvidar de que isso era útil para mim.
O ano de 2012 foi recheado de problemas, três internações que juntas somaram 70 dias de "reclusão" na Beneficência Portuguesa.
2013 começou abençoado, ganhamos mais uma netinha, Alícia a quem chamamos de "Docinho", agora são quatro motivos de alegria, Júlia, João Gabriel, Isabela e Alícia!
Nem tudo seria "flores"...Eu precisei cuidar de meu cunhado que estava com a saúde bem abalada e ficou conosco por 4 meses é claro que isso causou muita ansiedade e certa agressividade no Horacio, mas no final deu tudo certo...(eu acho)
As consultas periódicas se seguiam, por vezes troca de medicamentos, por vezes minhas dúvidas me levavam à "loucura", mas era preciso seguir em frente e não desistir de ter respostas.
No início deste ano ele falou em ir embora de casa e graças aos conselhos de quem não entende nada de nada, vivi momentos complicados outra vez.
Ele continua em tratamento e algumas pessoas "já" notam que ele tem alguma coisa. Ele abordou duas de nossas sobrinhas de maneira de me deixar de "boca aberta", uma delas ele pede em namoro e diz que quando ficar viúvo vai se casar com ela  (o resto é censurado não posso escrever) e para a outra fez alguns "elogios" totalmente fora do padrão...
O Dr Roger solicitou mais uma avaliação neuropsicológica e exames de imagem. A Neuropsicóloga levou o caso dele para o grupo de estudos sobre DFT do HC e depois de discutirem seu  caso, ele foi aceito para ingressar no protocolo.  
Lá fomos nós em um sábado de manhã, ele ficou algum tempo passando por testes e eu fui entrevistada por uma Gerontóloga. Durante a entrevista eu perguntei várias vezes se eles tinham discutido o suficiente o caso dele, até que ela foi categórica dizendo que suspeitas ou fenocópias de DFT não poderiam fazer parte do protocolo e se ele estava lá é porque não tinham dúvidas. MEUS OLHOS SE ENCHERAM DE LÁGRIMAS... foi assim todo o final de semana, eu me sentia como se tivesse ouvido o diagnóstico pela primeira vez.
Lá conheci a Márcia, uma outra esposa com história parecida com a minha, seu esposo tem 51 anos e quando o vi tive a mesma reação que muitos  devem ter quando vêem meu marido, "nossa mas não parece, ele conversa tão bem!" Trocamos algumas experiências e foi muito bom, finalmente me senti "acompanhada" nessa jornada.
Durante a semana a gerontóloga falou comigo que a conclusão inicial era que ele está entrando no estágio moderado da doença e que eu devo tomar algumas decisões...
Como disse um querido amigo, se eu não tiver coragem de tomar essas decisões eu não sou a pessoa certa para cuidar dele! DIFÍCIL, muito mesmo.
Hoje ele está mais apático, um misto de ansiedade e depressão estão sempre presentes, pensamentos de morte ainda assombram sua vida, não fica confortável quando está com muita gente falando e adora ficar em seu sofá.
Eu estou bem mais adaptada à realidade do presente, mas sem pensar muito como será o futuro.
Até a próxima!(espero que seja breve)